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Bola no chão

  • Foto do escritor: Outra Cancha
    Outra Cancha
  • 21 de nov. de 2020
  • 3 min de leitura

Depois de um longo período, volto a escrever no Outra Cancha.


Do último post (do dia 9 de julho) pra cá, muita coisa mudou, mas outras, infelizmente, por mais que se pense o contrário, continuam iguais.


A pandemia é a mesma e agora se fala na chegada de uma segunda onda no Brasil, sendo que a primeira nem chegou a ir embora. Com esporádicas saídas, sigo quarentenado, o que acaba gerando mais e mais trabalho. Tente encontrar um professor brasileiro que não está atolado de serviço nesse período sem aulas presenciais e falhe miseravelmente.


Entre um trampo e outro, contudo, desde ontem passou a ser possível encontrar um interessante alívio: o CINEfoot - Festival de Cinema de Futebol.


A partir de hoje passo a escrever um pouco sobre as minhas impressões do que assisti nesse festival. Pela manhã, consegui assistir três curtas que fazem parte da "Mostra Dente de Leite": "A culpa é do Neymar", de João Ademir; "Vai que é tua Tafarinha", de George Augusto e "Para todes", de Victor Hugo Soares, Samara Garcia e equipe de alunes da Escola Municipal Adalgisa Nery.


Duas produções cariocas e uma amazonense, com seus temas e características próprios, mas que de alguma forma se interligaram pra mim a partir da ideia que coloco já no título deste texto: bola no chão. Bola no chão no sentido de trazer o futebol para a sua origem, o seu habitat, a sua simplicidade lúdica que cada vez mais parece ser desfigurada e esquecida.


Em "A culpa é do Neymar", três nomes são recuperados em sua acepção botafoguense: Heleno, Jair e Túlio. Três gerações que marcaram a história do clube alvinegro e que aparecem em três gerações de uma família. O avô, Heleno, não aparece no curta, é apenas mencionado pelo filho Jair (interpretado por Babu Santana - engraçado ver um flamenguista atuando como botafoguense) e também lembrado pelo neto Túlio.


O curta se passa no ano de 2011 e a trama apresenta o contexto familiar e afetivo de uma família botafoguense que se vê ameaçado por ninguém mais, ninguém menos que Neymar. É que o menino Túlio, descontente com a seca de títulos do Botafogo do seu pai se encanta pelo futebol de Neymar, então ainda no Santos e passa a torcer pelo alvinegro paulista. O conflito é levado de forma caricata ao longo do curta, mas traz no fundo um saudosismo de bons tempos do futebol do Botafogo, que parecem cada vez mais distantes.


"Vai que é tua Tafarinha" quase não tem palavras, com exceção daquelas que dão título ao curta e que são pronunciadas no ponto alto da história: depois de remarem, conseguirem linha, madeira e garrafas pet pra montar um golzinho (esse que aparece na imagem do post), dois curumins podem finalmente brincar de futebol. Aqui não tem conflito, apenas a colaboração de ambos para que no fim a brincadeira pudesse se dar.


Por fim, "Para todes", como o próprio nome já diz, traz a questão da inclusão como tema central e é um experimento bem real e interessante feito na Escola Municipal Adalgisa Nery, no bairro de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. Por que meninas não podem jogar bola? Por que só "quem sabe" é que pode jogar? Os meninos marrentos do colégio são questionados pelas próprias meninas, geralmente excluídas das peladas do recreio, e ficam com aquela cara de tacho em frente às câmeras, operadas pelas próprias estudantes.


No fim, tem gol feminino, tem reconciliação entre todos e tem, principalmente, uma fala que me emocionou bastante, da estudante Priscila Ebbo, que reproduzo aqui:


"Não só garotos, mas todo mundo, os LGBTs, os especiais, e que todo esse preconceito acabe e que todo mundo possa jogar bola junto, além do mais, o futebol é pra todos"


Os curtas são três recortes de como nasce, cresce e se desenvolve a paixão pelo futebol, pelo simples gesto de chutar uma bola. Trazem consigo o caráter inclusivo desse esporte, que muitas vezes passa despercebido.


Ao longo dos próximos dias, entre uma aula e outra, uma prova e outra, espero assistir mais curtas e até mesmo os longas do festival e escrevo mais sobre por aqui.

 
 
 

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