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Quem é ele?

  • Foto do escritor: Outra Cancha
    Outra Cancha
  • 14 de dez. de 2022
  • 4 min de leitura

Ele não é um ET.


Ele não é uma besta enjaulada.


Ele não é um pop star.


Ele não é uma lenda daquelas que se ouve falar muito, mas nunca se viu.


Ele é a história sendo escrita.


Como não falar sobre Lionel Messi depois do jogo de ontem? Não apenas falar, mas também reconhecer e reverenciar tudo o que ele já fez, está fazendo e possivelmente ainda fará (domingo tá aí) pelo futebol.


A primeira vez que ouvi falar de Messi já havia começado, ainda timidamente, a acompanhar um pouco do futebol europeu. Ele já se destacava, mas parecia ser simplesmente um coadjuvante daquele que, em 2006, era de fato o maior jogador do mundo: Ronaldinho Gaúcho.


Pouco tempo se passou e Messi já se transformou em protagonista. O histórico Barcelona de Guardiola de fins dos anos 00 e início dos anos 10 marcou a minha geração. Os incríveis duelos contra o rival Real Madrid eram sempre aguardados e quase sempre jogos espetaculares. Além disso, as campanhas do Barcelona na Champions League também eram invejáveis. O time todo tinha seus destaques e figuras lendárias: Dani Alves, Puyol, Xavi, Iniesta, Busquets, mas a grande estrela, sem sombra de dúvidas, era Lionel.


O tempo continuou passando e o Barcelona, enquanto equipe, foi perdendo muito desse brilho. Entre 2013 e 2015 o famoso trio MSN (Messi, Suárez e Neymar) ainda encantou, mas dali pra frente derrotas retumbantes como os 8 x 2 para o Bayern na Champions de 2020 acabaram dando a tônica de um gigante em decadência.


Apesar disso, em determinado momento era quase impossível imaginar Messi vestindo a camisa de outro clube. No entanto, isso aconteceu na última temporada. Da Sagrada Família para a Torre Eiffel: esse foi o destino traçado pelo argentino. No PSG, um reencontro com Neymar, a presença de Mbappé e, até o momento, nenhuma grande conquista.


Só que paralelamente a essa trajetória, Messi também vestia a camisa 10 albiceleste e em sua seleção os títulos demoraram muito a chegar. O seu desempenho na seleção argentina, durante muito tempo, foi motivo de recorrentes críticas. Era normal ouvir, ao longo da década de 10, o chavão de que "Messi no Barcelona é um, Messi na Argentina é outro".


Vários podem ter sido os motivos para isso e uma série de insucessos em Copas América e Copas do Mundo ressaltavam ainda mais essa diferença. A perda da Copa América para o Chile em 2015 e, principalmente, da Copa do Mundo para a Alemanha, no Brasil, em 2014, pareciam sacramentar que para a carreira de Lionel ficaria faltando algo.


Eis que vem uma pandemia, o mundo muda, o futebol também muda muito e talvez essas mudanças tenham impactado também o craque. Da mesma forma que sua carreira nos clubes, até pela questão da idade, começou a entrar numa certa descendente, as suas atuações na Argentina passaram a ter um outro tom, uma outra cor, uma outra genialidade.


Messi assumiu, de fato, o lugar de capitão, de líder técnico, moral e aurático do time. Veio, enfim, um título, justamente contra o Brasil, no Brasil, em uma Copa América polêmica, que talvez nem deveria ter sido jogada por conta da situação crítica da pandemia naquele momento.


Mas veio mais. Sob o comando de um novato treinador, a Argentina, mesmo sem jogar o mais belo futebol, reencontrou uma competitividade que parecia há muito esquecida e teve uma sequência invicta de mais de 30 jogos.


Com isso, a Copa de 2022 passou a ser um sonho muito possível. A Argentina chegou como uma das favoritas, mas o futebol não é ciência exata e as escritas e sequências invictas sempre podem ser quebradas, até mesmo quando menos se espera. Foi o que aconteceu na estreia da Copa, contra um azarão chamado Arábia Saudita. Uma derrota de virada que surpreendeu a todos e deixou no ar uma dúvida enorme em relação à continuidade da Copa.


Por mais estranho que isso pareça, a derrota inicial fez bem à Argentina. O xará de Messi, novato treinador, como dito acima, deixou qualquer vaidade de lado e se lançou em testes e experimentações de novos jogadores no time titular, novos esquemas táticos e variações. O resultado? Uma campanha sem grandes espetáculos, mas muito sólida, competitiva e, sobretudo, cheia de alma.


A Argentina venceu o México, a Polônia e a Austrália. Nas quartas, parecia caminhar para uma nova vitória sobre a Holanda, que acabou deixando escapar literalmente no último minuto. Isso, assim como a derrota inicial para a Arábia Saudita, não abalou o time. Uma prorrogação inesperadamente intensa, com muitas chances de gol. Uma disputa de pênaltis verdadeiramente focada e a classificação para a semifinal garantida.


Impossível não imaginar o que teria sido esse jogo de ontem com o adversário argentino sendo o Brasil e não a Croácia. Mas, como todos sabemos, muitos foram os problemas que tiraram do Brasil essa vaga.


E aí, enfim chegamos ao jogo de ontem. Jogo ou aula de Messi? Apesar de um bom início croata, a seleção do Leste europeu dessa vez foi incapaz de fazer frente ao adversário sul americano. Um dos motivos principais: ele, Lionel Messi.


Principalmente a jogada do terceiro gol, na qual o zagueiro mais elogiado da Copa, Gvardiol, parecia uma criança sendo enganada por um adulto, mostrou que aos 35 anos Messi é um jogador totalmente diferenciado de todos os outros que ainda atuam no futebol profissional.


É bonito de ver sua raça, sua ginga, sua maturidade, sua técnica, sua altivez e seu sorriso após o apito final. Messi dá a oportunidade para todos irem além de qualquer rivalidade besta, de qualquer comparação limitadora, de toda e qualquer mediocridade.


Ele tem nos pés a chance da consagração máxima no próximo domingo, seja contra a França, seja contra o Marrocos. Mas ainda que isso não aconteça, já é mais do que a hora de reconhecer e exaltar a sua inigualável carreira; o seu futebol único e apaixonado.


Que venham os robôs, a "modernidade", as arenas e as "taticabilidades"; ainda é na singularidade dos pibes como Messi que o coração do futebol pulsa e sempre pulsará.


Ele é a história sendo escrita.

 
 
 

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