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Mal voltou e já acabou?

  • Foto do escritor: Outra Cancha
    Outra Cancha
  • 26 de mai. de 2020
  • 3 min de leitura

Atualizado: 26 de mai. de 2020


Essa é a pergunta que fica no ar depois do clássico de hoje entre Borussia Dortmund e Bayern de Munique.


O tão aguardado duelo entre os dois líderes da Bundesliga viu o primeiro colocado do campeonato aumentar para sete pontos a sua vantagem para o vice-líder, após vencê-lo por 1 x 0, com um belíssimo gol do meio-campista Joshua Kimmich.


O bom início do Borussia, contando uma torcida "fake" em seu estádio (a tática do som ambiente parece que será mesmo uma das constantes nesse novo futebol), parecia mostrar um dia de dificuldades para o Bayern. Aos poucos, no entanto, o time treinado por Hansi Flick foi crescendo na partida e neutralizando as principais peças ofensivas do adversário.


Todas as qualidades do Borussia pareciam não fazer o mesmo efeito que ultimamente têm feito nos outros adversários. Basta olharmos para o nome de maior repercussão do time, o jovem Haaland. Apesar de ter criado chances, não conseguiu marcar. Brandt, muito bem no jogo de retorno, contra o Schalke, não fez grande partida e acabou sendo sacado por Lucien Favre no segundo tempo.


O Bayern também não fez uma partida fantástica, mas soube jogar estrategicamente. O seu super artilheiro, Lewandowski, apesar de ter acertado a trave, também não conseguiu marcar, coisa rara na atual temporada.


Só que em momentos decisivos, muitas vezes um simples toque faz toda a diferença. Eu tenho um gosto especial por jogos decididos por heróis improváveis. Kimmich é um ótimo jogador, que já vem se destacando há algum tempo, mas que recebe poucos holofotes. Hoje foi diferente. No fim do primeiro tempo, em uma das tentativas de ataque do Bayern, a bola foi recuada para ele na entrada da área e ele percebeu o goleiro Bürki adiantado. Isso bastou. É aquele tipo de lance no qual quando a bola sai do pé do jogador quem está assistindo já imagina o destino que ela terá.


Flamenguista que sou, foi impossível não lembrar do gol de Gabigol contra o Santos, na última rodada do primeiro turno do Campeonato Brasileiro do ano passado. Apesar do artilheiro do Flamengo ter usado o pé esquerdo e Kimmich o direito, a parábola descrita pelas bolas nos dois lances foi muito parecida e, além disso, o toque de crueldade que essas bolas possuem também é muito semelhante.


Imagine-se no lugar desses goleiros: as críticas por estarem adiantados certamente virão, mas os milímetros entre seus dedos e as bolas devem ser ainda mais difíceis de se encarar. O quase é uma piores sensações, seja em qualquer situação, ainda mais numa partida de futebol.


E este quase cada vez mais é algo distante para o Bayern. Depois do recomeço tímido diante do Union Berlin, a equipe bávara consegue outras duas vitórias, contra Eintracht Frankfurt e o rival Borussia e caminha a passos largos para mais um título alemão.


Enquanto isso, em meio ao isolamento e pandemia, a imagem deste gol, que ilustra o post e que descrevi acima, me passa a mensagem que diante de todas as transformações e incertezas que teremos de conviver daqui pra frente, no futebol e na vida, os micro momentos de aguçada perspicácia, em qualquer cenário, continuarão sendo os guias para seguirmos adiante. Um segundo a mais ou a menos, um milímetro a mais ou a menos e a bola de Kimmich não entraria.


Como sentir o tempo certo para fazer gols de cobertura no mundo em que vivemos?

 
 
 

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