top of page
Buscar

Página infeliz da nossa história

  • Foto do escritor: Outra Cancha
    Outra Cancha
  • 20 de jun. de 2020
  • 2 min de leitura

Quinta-feira, 18 de junho de 2020.


Vai ser impossível não associar esta data a um momento bastante infeliz do futebol, do Brasil, do Maracanã (que acabara de completar 70 anos) e do Flamengo.


Mas por quê? Todo o ímpeto de início e manutenção deste blog vai ao encontro de uma esperança de momentos felizes e possíveis com o retorno do futebol no mundo, este "novo normal", também dentro das quatro linhas, que pode servir de combustível para muitos que são apaixonados por esse esporte conseguirem pelo menos momentos fugazes de mínimas alegrias.


Aos poucos as principais ligas europeias de futebol foram retomando as atividades e nos posts anteriores deste blog muito foi falado sobre a Bundesliga, a La Liga, a Premier League, e por mais que todas essas competições estivessem retornando com dúvidas e questionamentos, os protocolos, o tempo e o bom senso foram respeitados e usados.


No Brasil, não. E isso quebra qualquer tipo de esperança, qualquer vontade de ver o seu time jogando num campo que está ao lado de um hospital de campanha, qualquer mínima alegria. Como diria Arnaldo Antunes, o real resiste, e o nosso real mostra um Brasil como o novo centro da pandemia, sem o número necessário de testes, sem diminuição do número de mortes e ao mesmo tempo com flexibilização, inclusive no futebol.


O fato de ter sido o meu Flamengo a instituição a capitanear esse inconsequente retorno ao futebol no Brasil traz um estranho sentimento. Há poucos meses, reunido com grandes amigos, também flamenguistas, vimos o nosso time ser campeão da Libertadores, um momento feliz que ficará para sempre nas nossas memórias. Agora, esse mesmo Flamengo entra em campo e não desperta nada de bom em mim. Desde criança, a ligação Flamengo e Maracanã, por mais que em alguns momentos tenha sido dolorosa, como na derrota para o Santo André na Copa do Brasil de 2004; a queda para o América do México na Libertadores de 2008, dentre outros momentos, foi recheada de vontade e paixão de ver o time em campo. Na quinta, não era o Maracanã, não era o Flamengo e isso é triste.


No entanto, é importante demais ter consciência de que por mais que sejam associados ao mesmo time, estes sentimentos ligados ao título da Libertadores de 2019 e o jogo contra o Bangu não podem ser colocados em um mesmo patamar. Como disse o jornalista Lúcio de Castro no podcast Muito mais do que futebol, dedicado também ao tema desse melancólico jogo de quinta-feira: agora é o momento de ser ainda mais Flamengo, de aprofundar ainda mais essa paixão, porque o Flamengo não é Rodolfo Landim, o torcedor (tirando aqueles que concordam com esse posicionamento) não faz parte disso e deve usar o seu gosto pelo futebol para reconhecer a importância política desse esporte e ser crítico e resistente.


Esse texto é uma forma de deixar registrado o meu descontentamento e a minha tristeza, mas registra também a bandeira fincada no meu eterno rubro-negrismo: não há Flamengo sem povo e esse Flamengo que estão tentando forjar se afasta da dura e pandêmica realidade que esse povo vive hoje.

 
 
 

Comments


© 2020 por Outra Cancha. Orgulhosamente criado com Wix.com.

bottom of page