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Pão pão queijo queijo

  • Foto do escritor: Outra Cancha
    Outra Cancha
  • 24 de nov. de 2020
  • 2 min de leitura

A firmeza e sabedoria da frase que dá título a este texto podem ser encontradas em algumas das falas, expressões e ideias que aparecem nos dois curtas que assisti hoje, em mais um dia de CINE Foot.


A trajetória de vida um dos grandes nomes do jornalismo esportivo brasileiro, o alemão e ex-pastor Gerd Wenzel é contada por quem conhece bem a peça, o também jornalista Paulo Júnior. Essa é a história de Meu amigo alemão.


Hoje também conheci um pouco da mística do São Cristóvão Futebol e Regatas, clube de futebol carioca conhecido por ter revelado Ronaldo Fenômeno, mas que carrega muitas outras histórias e lembranças que, infelizmente, parecem ter ficado no passado, como mostra o curta São Cristóvão - À sombra do passado, de Marx Braga.


Por que dá pra dizer que são dois curtas "pão pão queijo queijo"? Primeiramente porque a sabedoria popular está presente tanto nos depoimentos dos antigos e saudosistas torcedores do São Cristóvão que aparecem no curta que fala sobre o clube, quanto nas falas de Gerd Wenzel, alguém que se posiciona diante de injustiças sociais e que chegou ao Brasil, ainda criança, saindo de uma Berlim Oriental que ainda vivia sob a sombra do fascismo.


A fala de Gerd que descreve sua chegada de navio ao Rio de Janeiro já mostra todo o genuíno encantamento que este alemão foi desenvolvendo pelo nosso país, algo que foi se potencializando na ida pra São Paulo, nos jogos no Pacaembu, na atuação política contrária ao regime militar no período da ditadura, que gerou algumas prisões, chegando enfim à descoberta do jornalismo esportivo, através do perspicaz olhar de José Trajano.


É curioso pensar que ao longo dos dois curtas, a bola e o jogo têm, no máximo, alguns segundos de aparição, mas o que se leva do futebol vai além das quatro linhas, e Gerd Wenzel, ao escancarar em sua fala a dívida histórica que o Brasil possui com os negros e os índios deixa claro que ele não é apenas um comentarista de futebol de alemão que desembarcou no Brasil, ele é um amigo da bola e de todos aqueles que buscam algum tipo de justiça social.


Já as falas do curta que tem como tema central o São Cristóvão trazem um dos tantos exemplos de clubes brasileiros que tiveram história no passado, rivalizando com grandes equipes, vencendo jogos importantes, mas que com o correr da história foram se transformando em "times pequenos".


A importância do resgate das histórias de times assim está justamente na atenção que se dá à vivência profunda e verdadeira do torcedor de futebol: logo no início do curta uma clara distinção entre o torcedor e o simpatizante é feita. Isso nos abre os olhos para entender que torcer muitas vezes é sinônimo de sofrer e de perder. Só que para todos aqueles que deixam o seu depoimento no curta isso não incomoda nem um pouco.


O que transparece, na verdade, nos olhares atentos e nas falas firmes do curta é um sentimento que constantemente se refaz mesmo quando não tem milho pra fazer pipoca.


É a certeza de olhar pra trás e ver que as derrotas no campo significaram vitórias no coração e na memória.

 
 
 

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